O Peixe é o nosso fado

Este é o espaço dos que participaram, contribuiram ou ajudaram a fazer esta “Peisheirada”.
Obrigado à Joana pelo magnifico bom gosto na definição dos interiores, ao Rui Simas pela sua língua afiada, tanto da “confecção” dos textos como na criação das letras dos fados, ao Filipe pelos desenhos e criatividade, aos ilustradores Cláudia Guerreiro, Sílvia Lézico e David Mendes por aceitarem o desafio de “sujar” as paredes, obrigado ao Cláudio, o homem digital, obrigado ao Lucas e à Filipa Brito pelos desenhos de última hora e ao Lopes pelos dedilhado.

No final, não conseguimos encontrar palavras, gestos, ruídos, cores, olhares, o que quer que seja, para agradecer ao Rui Quinta pela forma como conduziu todo o projecto de comunicação. A peisheirada que fez foi tão grande que arranjou maneira de meter esta gente toda ao barulho!
Da equipa da Peisheirada, um último obrigado a todos aqueles que ajudaram a construir este diálogo em voz alta.

CASA DA PEISHEIRADA

Foi num dia de semana que passei
À morada onde fica a Peisheirada
E está tudo tão diferente
Que naquele restaurante
Não se vê nem gritaria nem chapada.
Mal eu pus o pé no adro
Fiquei logo admirado
Com o estilo daquela casa patusca,
E na rua todos olham meio de lado
Até a vizinha cusca.

Entrei para o meio da sala e logo vi
Paredes com azulejos desenhados,
Mas o que tinha piada
Era a forma desgarrada
Dos escritos que por lá estavam espalhados
Palavras que davam vida
Àquela casa perdida
No meio de prédios velhos e estragados
Mas naquele rés-do-chão de uma subida
Todos ficam conquistados.

Quando me sentei à mesa ali fiquei
A pensar nos petiscos da cozinha
Veio logo o empregado
Com um ar todo aprumado
Perguntar o que eu queria da listinha
Apontei p’ra todo o lado
Nunca tinha imaginado
Que também havia sushi alfacinha
Decidir foi quase cometer pecado
Queria tudo o que lá vinha.

Nesta tasca é só do bom e do melhor
Mal se passa pela porta das fitinhas
Peixe fresco com certeza
Nada é servido à mesa
Sem passar pelo olhar do picuinhas
É sinal de garantia
Que esta ideia luzidia
Ainda vai fazer fulgor entre as vizinhas
(2) Porque quem à Peisheirada vem comer
Deixa de ser mariquinhas. (2)

PEISHEIRADA, MENINA E MOÇA

Na mesa, ponho o cotovelo
Na empregada, descanso o olhar
E num gesto, lanço-lhe o apelo
Para me vir… falar

Pergunto: “O que recomenda?”
Ela diz: “Tudo é especial.”
“E mesmo o que não entenda”
“É bom e original”

Refrão:
Numa tasca de Lisboa, tão linda
Inventou-se uma moda nova, tão pura
Um shushi à portuguesa, varina
Que dá mais prazer à língua, ternura

Cozido à japonesa, cozido
Sashimi de peixe fresco, fresquinho
Quem à Peisheirada é trazido
Brinda com cerveja, saké ou vinho

No Rato, eu passo por ti
À noite há sempre uma festa
Quem vê o letreiro sorri
Que peisheirada é esta?

Aqui, misturam-se sonhos
Sabores de cá e de lá
Nos pratos, olhares risonhos
No fim, um café ou um chá

Refrão:
Numa tasca de Lisboa, tão linda
Inventou-se uma moda nova, tão pura
Um shushi à portuguesa, varina
Que dá mais prazer à língua, ternura

(2) Cozido à japonesa, cozido
Sashimi de peixe fresco, fresquinho
Quem à Peisheirada é trazido
Brinda com cerveja, saké ou vinho (2)

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